Freio de Flávio Dino: A batalha judicial que Impede a ressurreição do prçamento secreto e garante a transparência fiscal

Foto: Evaristo Sá/AFP.

A transparência nas contas públicas brasileiras foi recentemente reafirmada por uma decisão contundente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.


Em uma liminar que ecoou nos corredores do Congresso Nacional e nos gabinetes do Poder Executivo, o magistrado determinou a suspensão de um trecho crucial do Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 128/2025.


Segundo a análise do ministro e de diversos juristas, esse dispositivo representava uma manobra política e legislativa para "ressuscitar" o controverso Orçamento Secreto. A medida cautelar de Dino não é apenas um ato jurídico, mas um marco na defesa da integridade fiscal, impedindo a liberação de aproximadamente R$ 3 bilhões em emendas parlamentares sem a devida clareza e critérios técnicos, reacendendo a discussão sobre o controle e a fiscalização dos recursos federais no Brasil.



O Histórico do Orçamento Secreto e a Decisão de 2022



Para compreender a magnitude da decisão de Flávio Dino, é essencial revisitar o contexto do Orçamento Secreto. Este mecanismo, formalmente conhecido como emendas de relator (RP-9), ganhou notoriedade por permitir que parlamentares, especialmente os líderes do Congresso, direcionassem fatias significativas do Orçamento Geral da União (OGU) sem a identificação clara dos proponentes e dos beneficiários finais. A falta de transparência e a natureza discricionária da distribuição dessas verbas transformaram o RP-9 em uma poderosa ferramenta de barganha política, minando a equidade na alocação de recursos e levantando sérias suspeitas de uso clientelista e corrupção.


Em dezembro de 2022, o Plenário do STF, em uma decisão histórica e por maioria de votos, declarou a inconstitucionalidade do Orçamento Secreto. A Corte exigiu que a distribuição de recursos federais fosse pautada por critérios objetivos, impessoais e transparentes, além de garantir a publicidade integral dos beneficiários e dos valores destinados. A decisão visava restaurar a lisura do processo orçamentário, pondo fim a um sistema que operava nas sombras e comprometia a moralidade administrativa.

A Manobra Legislativa e a Intervenção do STF


Apesar da decisão do STF, o Congresso Nacional buscou alternativas para manter o poder de influência sobre o orçamento. O PLN 128/2025, aprovado recentemente, continha um trecho que previa a possibilidade de que as emendas individuais fossem remanejadas para outras programações orçamentárias, uma flexibilização que, na prática, criava uma brecha para a reativação das emendas de relator sob uma nova roupagem. Essa "engenharia orçamentária" foi prontamente identificada por partidos de oposição, como o PSOL, que acionaram o STF.


O ministro Flávio Dino, relator das ações que cobram a transparência dos gastos, acolheu o pedido, argumentando que a medida representava um "risco de desvio de finalidade" e uma clara violação aos princípios constitucionais de publicidade e impessoalidade que regem a administração pública. A decisão de Dino não se limitou a suspender a liberação dos R$ 3 bilhões; ela enviou um sinal inequívoco ao Poder Legislativo sobre os limites de sua atuação. O ministro ponderou que, embora o Congresso tenha a prerrogativa de legislar sobre o orçamento, essa prerrogativa não pode se sobrepor aos pilares da Constituição.

Repercussões Políticas e o Futuro da Transparência


A reação do Congresso à liminar de Dino foi mista. Enquanto alguns parlamentares criticaram a "interferência" do Judiciário em questões orçamentárias, a sociedade civil e especialistas em direito constitucional aplaudiram a medida, vendo nela uma defesa da integridade do processo democrático. A decisão de Dino reforça a necessidade de um debate mais profundo sobre a distribuição de poder e recursos entre os Três Poderes.


O futuro das emendas parlamentares e o nível de transparência dos gastos públicos no Brasil dependem agora do julgamento do mérito pelo Plenário do STF. A expectativa é que a Corte mantenha a linha de rigor e transparência estabelecida em 2022.


A decisão de Dino, portanto, é mais do que um ato isolado; é um capítulo fundamental na longa e complexa batalha pela transparência e responsabilidade fiscal, um pilar essencial para a consolidação da democracia brasileira. A pressão popular e a vigilância da imprensa serão cruciais para garantir que o dinheiro público seja gerido com a máxima clareza e em benefício da população.

Matéria Postada Por: Eliseane paula.

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