Eduardo Bolsonaro e Ramagem tem mandatos cassados pela Câmara

Carolina Antunes/PR e Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Em um movimento de grande repercussão e significado político, a
Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu decretar a perda dos mandatos dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ)
.


A decisão, anunciada nesta quinta-feira, 18 de dezembro, marca um momento de inflexão no cenário político nacional, destacando a aplicação de regras constitucionais e o cumprimento de determinações judiciais.



A cassação de dois parlamentares de perfil tão proeminente, ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mobilizou a atenção do país e gerou intensos debates sobre a estabilidade política, a disciplina partidária e a autonomia dos Poderes. O caso é notável não apenas pelo peso dos nomes envolvidos, mas também pela natureza contrastante das razões que levaram à perda de seus assentos no Congresso Nacional.


Os Dois Pesos e as Duas Medidas da Cassação



A Mesa Diretora da Câmara, ao declarar a perda dos mandatos, agiu com base em fundamentos legais distintos para cada um dos deputados, sublinhando a diversidade de mecanismos que podem levar à destituição de um parlamentar no Brasil.


1. O Caso de Alexandre Ramagem: Cumprimento de Sentença Judicial



Para o deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a cassação decorreu do cumprimento de uma ordem direta do Supremo Tribunal Federal (STF).


Ramagem foi condenado pela mais alta corte do país por crimes graves, incluindo organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, no âmbito das investigações sobre a chamada "trama golpista".


A condenação do STF resultou em uma pena de 16 anos de prisão e, crucialmente, na perda do mandato parlamentar.


A Constituição Federal, em seu Artigo 55, inciso VI, estabelece que a perda do mandato pode ser declarada pela Mesa da Casa quando há condenação criminal transitada em julgado.


Neste caso, a Câmara agiu em obediência à decisão judicial, reforçando o princípio da separação e harmonia entre os Poderes.


A gravidade dos crimes imputados a Ramagem e a confirmação da sentença pelo STF conferem a este caso um peso institucional significativo, sinalizando a atuação rigorosa do Judiciário em face de ameaças à ordem constitucional.

2. O Caso de Eduardo Bolsonaro: Excesso de Faltas


Já a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, ocorreu por uma razão de natureza regimental: o excesso de faltas às sessões plenárias da Casa.


A legislação brasileira é clara ao determinar que um deputado ou senador pode perder o mandato se deixar de comparecer a um terço das sessões ordinárias da Casa, salvo em casos de licença ou missão autorizada.


A ausência prolongada de Eduardo Bolsonaro, que estaria nos Estados Unidos desde fevereiro, conforme noticiado por diversos veículos de imprensa, ultrapassou o limite permitido.


A Mesa Diretora, ao aplicar a regra, demonstrou um rigor na fiscalização da assiduidade, um tema que frequentemente gera controvérsia e debate público sobre a produtividade e o compromisso dos parlamentares com suas funções.

Implicações Políticas e a Sucessão na Câmara


A cassação dos mandatos de dois deputados federais em um único dia tem implicações profundas para o equilíbrio de forças na Câmara e para o grupo político ao qual pertencem.

O Efeito no Campo da Oposição


Ambos os parlamentares eram figuras centrais na oposição ao atual governo, utilizando suas plataformas para mobilizar a base de apoio do ex-presidente. A saída de Eduardo Bolsonaro e Ramagem representa uma perda de voz e de influência para a ala mais radical da direita no Congresso.


A cassação de Ramagem, em particular, é vista como um desdobramento direto das investigações sobre atos antidemocráticos, enviando uma mensagem clara sobre os limites da atuação política e a responsabilização por ações que atentem contra o Estado de Direito.

A Questão da Sucessão


Com a perda dos mandatos, a Câmara dos Deputados deve convocar os suplentes de suas respectivas coligações ou partidos para assumirem as vagas. A entrada de novos nomes altera a composição das comissões e a dinâmica de votação no Plenário, podendo ter um impacto sutil, mas relevante, na tramitação de projetos de interesse do governo e da oposição.


A sucessão imediata, no entanto, não encerra o debate. A cassação por excesso de faltas, embora menos grave do ponto de vista criminal, levanta questões sobre a fiscalização do trabalho parlamentar e o uso de recursos públicos.

O Contexto da Estabilidade Institucional


Este episódio se insere em um contexto mais amplo de tensão entre os Poderes no Brasil. A atuação do STF em casos de grande repercussão política tem sido um fator de instabilidade, mas também de garantia da legalidade.


A decisão da Mesa Diretora da Câmara de cumprir a ordem judicial no caso Ramagem é um ato que reforça a institucionalidade e a submissão do Legislativo às decisões finais do Judiciário.


A cassação de Eduardo Bolsonaro por faltas, por sua vez, serve como um lembrete da importância da ética e da assiduidade no serviço público, um tema de interesse cívico que atrai a atenção do público em geral.


A cassação dos mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados é um marco na história política recente do Brasil.


Ela demonstra que, independentemente do capital político ou da visibilidade midiática, os parlamentares estão sujeitos às regras constitucionais e às decisões do Poder Judiciário.


Enquanto o caso Ramagem representa a consequência direta de uma condenação por crimes contra o Estado, o caso Bolsonaro ressalta a importância da disciplina regimental.


O episódio, que certamente será objeto de análise e debate por meses, reforça a necessidade de transparência e responsabilidade no exercício do mandato popular.

Matéria Produzida Por: Beatriz Senna.
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